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História da projeção mapeada: de 1969 aos dias de hoje, e onde a VITAartBR entra nessa linha do tempo

Foto do escritor: #VITAartBR
#VITAartBR
13 de out.
8 min de leitura

A projeção mapeada nasceu antes do que se imagina. O primeiro registro costuma ser apontado em 1969, na atração Haunted Mansion, da Disneylândia, onde rostos filmados em 16 mm eram projetados sobre bustos esculpidos. Nos anos 1990, a técnica ganhou patentes e base científica em universidades dos Estados Unidos. Nos anos 2000, saiu do laboratório para as fachadas, e na década de 2010 virou linguagem de festivais, marcas e cidades no mundo inteiro.


Este post conta essa história em ordem, com as fontes de cada marco, e mostra onde a VITAartBR entra nela: com projeção mapeada registrada publicamente desde junho de 2010, antes do lançamento do MadMapper, um dos softwares que popularizaram a técnica.


Atualizado em outubro de 2026.


Linha do tempo em resumo


  • 1969: a Haunted Mansion, da Disneylândia, projeta rostos filmados sobre bustos esculpidos.

  • 1980: Michael Naimark projeta uma sala filmada de volta sobre ela mesma em Displacements.

  • 1991 a 1997: Disney e General Electric pedem e obtêm patentes de projeção sobre objetos tridimensionais.

  • 1998 a 2006: universidades e laboratórios nos Estados Unidos criam a "realidade aumentada espacial": Office of the Future, I/O Bulb, Shader Lamps.

  • 2008 a 2012: a projeção mapeada chega às fachadas em festivais de luz; Praga projeta no relógio astronômico de 600 anos; o MadMapper é lançado; nasce a competição 1minute Projection Mapping, no Japão.

  • 2010: primeira projeção mapeada da VITAartBR com registro público, em São Paulo.

  • Hoje: Laser Mapping, salas imersivas, painéis de LED, conteúdo com inteligência artificial e competições internacionais.


1969: a Haunted Mansion e os bustos que cantam


A Haunted Mansion abriu na Disneylândia, na Califórnia, em 9 de agosto de 1969. Dentro da atração, cinco bustos cantam a música tema, "Grim Grinning Ghosts". O efeito era feito filmando o rosto dos cantores em 16 mm e projetando esse filme sobre bustos com o formato daqueles rostos. É o princípio da projeção mapeada: imagem feita para caber exatamente numa superfície com volume.


O mesmo recurso animava a Madame Leota, a cabeça que fala dentro de uma bola de cristal. O efeito ficou tão conhecido que, por muito tempo, projeção em rosto e objeto foi chamada de "efeito Madame Leota". Em 2004, a Disney trocou essa projeção original por uma projeção traseira dentro da bola, segundo a Wikipédia.


Fachada da Haunted Mansion, atração da Disneylândia inaugurada em 1969

Foto: SolarSurfer, 2008, domínio público, via Wikimedia Commons.


Antes disso já havia projeção combinada com cena ao vivo, como a Laterna Magika, de Josef Svoboda, apresentada na Expo 58, em Bruxelas, com filme projetado em telas atrás dos atores. Mas ali a imagem ainda ia para uma tela plana. A Haunted Mansion projetava sobre volume.


1980: Displacements, a sala projetada sobre ela mesma


Em 1980, o artista Michael Naimark filmou dois performers numa sala de estar com uma câmera girando no centro do ambiente. Depois, pintou de branco tudo o que havia na sala e trocou a câmera por um projetor, no mesmo lugar e girando do mesmo jeito. O filme voltou para cima dos móveis, das paredes e dos objetos que tinha registrado. Tudo parecia tridimensional, menos as pessoas, que viravam fantasmas. Naimark descreve a obra no texto Two Unusual Projection Spaces.


A ideia da câmera virando projetor no mesmo ponto é usada até hoje: é como se calcula o encaixe de um conteúdo numa fachada.


1991 a 1997: as primeiras patentes


Em 11 de outubro de 1991, a Walt Disney Company pediu a patente "Apparatus and method for projection upon a three-dimensional object", de Marshall M. Monroe e W. G. Redmann. Ela descreve um sistema para pintar digitalmente uma imagem sobre um objeto tridimensional com contornos e foi concedida em 28 de junho de 1994 como US 5.325.473.


Desenho da patente US 5.325.473, da Disney, de projeção sobre objeto tridimensional, pedida em 1991

Desenho da patente US 5.325.473 (Walt Disney Company). Fonte: USPTO, via Google Patents. Documento público.


A General Electric fez o seu pedido em 25 de março de 1994: um sistema para sobrepor com precisão imagens de modelos de computador a um objeto físico correspondente no espaço. A patente foi concedida em 11 de novembro de 1997 como US 5.687.305.


Desenho da patente US 5.687.305, da General Electric, de projeção de modelos de computador sobre objetos físicos

Desenho da patente US 5.687.305 (General Electric). Fonte: USPTO, via Google Patents. Documento público.


1998 a 2006: a ciência da realidade aumentada espacial


A projeção mapeada ganhou método nas universidades. Em 1998, na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Ramesh Raskar, Greg Welch, Henry Fuchs e colegas apresentaram no SIGGRAPH o artigo The Office of the Future. A proposta era transformar qualquer superfície de um escritório em tela, com projetores e escaneamento 3D em tempo real, para trabalhar com colegas e modelos em tamanho real.


  • 1999: John Underkoffler, no MIT Media Lab, descreve o I/O Bulb, um projetor acoplado a uma câmera que poderia ser tão comum quanto uma lâmpada.

  • 2001: Raskar, Welch, Kok-Lim Low e Deepak Bandyopadhyay publicam Shader Lamps: objetos brancos ganham cor, textura e aparência pela luz de projetores, que passam a carregar a "pele" do objeto.

  • 2004: a mesma linha de pesquisa testa projetores de mão, que sabem onde estão e para onde apontam.

  • 2005 e 2006: Oliver Bimber e Raskar publicam o livro Spatial Augmented Reality, e Bimber projeta sobre pinturas e cortinas, transformando superfícies comuns em telas.


A maior parte do que se faz hoje em mapeamento, como calcular a posição do projetor, sobrepor vários projetores e corrigir a imagem para a forma do objeto, foi descrita nesses trabalhos.


2008 a 2012: a projeção mapeada vai para as fachadas


No fim dos anos 2000, projetores mais potentes e computadores mais rápidos levaram a técnica do laboratório para a rua. Festivais de luz passaram a usar prédios inteiros como tela. A Fête des Lumières, em Lyon, na França, incorporou o mapeamento 3D às fachadas históricas da cidade, e Sydney, na Austrália, criou em 2009 o Smart Light Sydney, que depois virou o Vivid Sydney, com projeções nas velas da Ópera.


Vista panorâmica de Lyon, França, durante a Fête des Lumières, em dezembro de 2008

Vista de Lyon a partir de Fourvière durante a Fête des Lumières, em dezembro de 2008. Foto: Florian Pépellin, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.


Em outubro de 2010, os 600 anos do relógio astronômico de Praga foram comemorados com uma projeção mapeada do estúdio Macula, na Praça da Cidade Velha, com dois projetores Christie de 18.000 lumens, segundo o The Next Web. O vídeo circulou o mundo e virou referência do formato.


Projeção mapeada no relógio astronômico de Praga, em outubro de 2011

Projeção no relógio astronômico de Praga, em outubro de 2011. Foto: Moyan Brenn, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.


Em 2011, o estúdio 1024 Architecture e a GarageCUBE lançaram o MadMapper, software que tornou o mapeamento acessível para artistas e produtoras. Em 2012, a cidade de Zushi, no Japão, fez a primeira 1minute Projection Mapping Competition, com 19 criadores de 5 países, segundo a organização. A competição cresceu e hoje faz parte do Tokyo Lights.


Onde a VITAartBR entra nessa história


A trajetória da VITAartBR começou em 1999, com a VITAeventos, empresa de sonorização, iluminação e projeção fundada por Bruno Pintucci em São Paulo. Em 2010, ela fez seu primeiro trabalho de projeção mapeada com registro público, numa casa de eventos em São Paulo. O vídeo abaixo foi publicado em 17 de junho de 2010, antes do lançamento do MadMapper.



Em 2011, nasceu a VITAartBR, dedicada só à projeção mapeada: criação de conteúdo, projetores, servidores, montagem e mapeamento técnico. A empresa atual foi constituída em 2015, em Florianópolis, e em 2020 Simone Grando entrou como sócia e diretora artística. Hoje, com sedes em Florianópolis (SC) e São Paulo (SP), a VITAartBR atende em todo o Brasil e no exterior.


A projeção mapeada hoje


A técnica que começou num brinquedo da Disney virou um campo próprio. Hoje, a projeção mapeada se mistura com Laser Mapping, painéis de LED, salas imersivas 360°, sensores de interação e conteúdo criado com ferramentas de inteligência artificial. A trajetória recente da VITAartBR mostra essas frentes:



Projeção mapeada da VITAartBR no festival Electric Forest 2023, em Michigan, Estados Unidos

Projeção mapeada e Laser Mapping da VITAartBR no prédio histórico do Largo da Alfândega, em Florianópolis, em 29 de março de 2025

VITAartBR finalista da 13ª 1minute Projection Mapping Competition, no Tokyo Lights 2026


Projeção Songlines nas velas da Ópera de Sydney durante o Vivid Sydney 2016

Vivid Sydney 2016, projeção "Songlines" na Ópera de Sydney. Foto: Allison Lee, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.


Projeção mapeada, video mapping e 3D mapping são a mesma coisa?


Sim. São nomes diferentes para a mesma técnica: projetar imagem ajustada à forma de uma superfície que não é uma tela plana, como uma fachada, um objeto, um palco ou uma sala. "Video mapping" e "projection mapping" são os termos em inglês; "projeção mapeada" é o mais usado no Brasil. Os pesquisadores dos anos 1990 chamavam isso de realidade aumentada espacial. O guia tudo sobre projeção mapeada e video mapping explica como a técnica funciona hoje.


Perguntas frequentes


Quando surgiu a projeção mapeada?

O primeiro registro costuma ser apontado em 1969, na atração Haunted Mansion, da Disneylândia, onde rostos filmados em 16 mm eram projetados sobre bustos esculpidos. A técnica ganhou patentes nos anos 1990 e chegou às fachadas no fim dos anos 2000.

Não há um único inventor. Os primeiros usos vieram dos parques da Disney, em 1969; o artista Michael Naimark explorou a ideia em 1980; a Disney pediu em 1991 a primeira patente de projeção sobre objeto tridimensional; e pesquisadores como Ramesh Raskar, Greg Welch e Henry Fuchs, da Universidade da Carolina do Norte, criaram a base científica a partir de 1998.

Nenhuma. Projeção mapeada, video mapping, projection mapping e 3D mapping são nomes para a mesma técnica: imagem projetada e ajustada à forma de uma superfície que não é plana.

Há espetáculos de projeção mapeada no Brasil desde o fim dos anos 2000. A VITAartBR faz projeção mapeada com registro público desde junho de 2010, em São Paulo.

Entre os mais usados estão MadMapper, lançado em 2011, Resolume Arena e TouchDesigner, além de programas de criação 3D como Blender e Cinema 4D. A VITAartBR trabalha com eles e com ferramentas de inteligência artificial em processamento local.

A VITAartBR é uma empresa brasileira especializada em projeção mapeada, com sedes em Florianópolis (SC) e São Paulo (SP), que atende em todo o Brasil e no exterior. Faz projeção mapeada desde 2010 e foi finalista da 13ª 1minute Projection Mapping Competition, no Tokyo Lights 2026.


Sobre a VITAartBR


A VITAartBR 3DVideoMapping é uma empresa brasileira especializada em projeção mapeada, com sedes em Florianópolis (SC) e São Paulo (SP). Atua em todo o Brasil e no exterior com projeção mapeada, Laser Mapping, salas imersivas 360° e cenografia digital para marcas, eventos e cidades, e faz projeção mapeada desde 2010.


Fontes



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