Quando a música virou imagem: o palco imersivo da VITAartBR no Texneo Novum 2026
- #VITAartBR
- 4 de ago.
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Nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2026, a VITAartBR participou do Texneo Novum com um projeto que reuniu música ao vivo, holografia, laser, projeção mapeada e iluminação DMX em um único sistema audiovisual.
O palco recebeu apresentações de jazz e bossa nova, dois estilos marcados pela improvisação, pelas mudanças de dinâmica e pelo diálogo constante entre os músicos. Nosso desafio era criar uma estrutura visual capaz de acompanhar essa liberdade sem transformar o espetáculo em uma sequência rígida de cenas pré-programadas.
A solução foi fazer com que o próprio áudio dos shows controlasse a experiência.
Em vez de simplesmente sincronizar luzes e vídeos com uma linha do tempo, capturamos o sinal original da mesa de som e utilizamos as frequências, intensidades e variações da música para modificar, em tempo real, a holografia, os lasers, as projeções nas árvores e os refletores distribuídos pelo espaço.
Durante os shows, o público não apenas ouvia a música. Era possível, de certa forma, enxergá-la.
Um palco construído em camadas
O projeto partiu da criação de diferentes planos visuais ao redor dos músicos.
No fundo do palco, instalamos uma tela holográfica translúcida de 12 metros de largura por 3 metros de altura. É o tipo de material que, entre a equipe, costumamos chamar informalmente de “tela mosquiteiro”: uma superfície leve e praticamente transparente quando não está recebendo projeção, mas que revela imagens com bastante presença quando iluminada corretamente.
Essa transparência foi fundamental para o resultado. A tela não escondia completamente o ambiente natural atrás do palco. As imagens projetadas pareciam flutuar entre os músicos, os instrumentos e a vegetação, criando uma composição que misturava elementos reais e digitais.
Para alimentar essa tela, utilizamos dois projetores de 8.000 lumens. As imagens eram distribuídas e ajustadas de acordo com a geometria da superfície, permitindo a criação de conteúdos panorâmicos, distorções, partículas, linhas, volumes abstratos e movimentos que reagiam ao som.
O palco físico continuava visível. A floresta também. A holografia funcionava como uma camada intermediária, e não como uma parede fechando a cena.

A floresta como extensão do espetáculo
Além da tela holográfica, utilizamos dois projetores de 10.000 lumens para realizar o mapeamento das árvores ao redor do palco.
Essa parte do projeto ampliou consideravelmente a percepção do espaço. O conteúdo deixou de ficar limitado à estrutura montada para os músicos e passou a ocupar também a vegetação.
Troncos, folhas, galhos e diferentes profundidades naturais recebiam cores, movimentos e texturas. Como cada árvore possui uma forma irregular, a projeção produzia resultados que não poderiam ser reproduzidos em uma tela convencional.
A mata funcionava como uma grande superfície tridimensional.
Em alguns momentos, a projeção destacava detalhes da vegetação. Em outros, criava massas de cor e movimento que envolviam visualmente todo o palco. Conforme a intensidade da música aumentava, a paisagem também se transformava.
O objetivo não era apagar ou substituir o ambiente natural, mas incorporá-lo à linguagem visual do show.

Laser Mapping integrado à música
O sistema contou ainda com dois lasers RGB de 15 watts, utilizados para criar linhas, planos, desenhos e movimentos espaciais.
Os lasers adicionaram uma camada diferente da projeção. Enquanto os projetores preenchiam superfícies, o laser desenhava no ar e ajudava a estabelecer conexões visuais entre o palco, a tela holográfica e as árvores.
Como o equipamento trabalhava integrado ao mesmo sistema de controle, os movimentos e a intensidade dos feixes podiam responder ao áudio junto com os demais elementos.
Em vez de operar como um efeito isolado, o Laser Mapping fazia parte da mesma composição. Uma mudança rítmica podia alterar simultaneamente a velocidade do conteúdo holográfico, a abertura dos feixes e a movimentação das luzes DMX.
Essa integração era um dos pontos centrais do projeto.

38 refletores LED distribuídos pelo ambiente
Para a iluminação, utilizamos 38 refletores LED PAR controlados via DMX e distribuídos entre o palco, as estruturas técnicas e diferentes pontos da vegetação.
A quantidade de equipamentos era importante, mas a distribuição teve um papel ainda maior. Em vez de concentrar toda a luz na frente dos artistas, posicionamos os refletores de maneira a criar profundidade.
Alguns equipamentos iluminavam os músicos. Outros trabalhavam a vegetação, as laterais do palco e as áreas atrás da tela holográfica. Dessa forma, as mudanças de cor podiam atravessar todo o espaço, conectando fisicamente as diferentes partes da montagem.
Os refletores eram controlados por Art-Net DMX e integrados ao processamento audiovisual. Graves, médios, agudos, transientes e variações de volume podiam influenciar parâmetros como intensidade, cor, velocidade e movimentação.
Não se tratava apenas de fazer as luzes piscarem no ritmo da música. A intenção era interpretar diferentes características do áudio e atribuir comportamentos específicos a cada faixa de frequência.

O áudio como fonte de controle
Para preservar a qualidade do sinal, utilizamos uma interface de áudio conectada à saída da mesa de som do evento.
Isso nos permitiu trabalhar diretamente com o áudio original da mixagem, sem depender de microfones ambientais. O sistema recebia um sinal mais limpo, com maior definição e menos interferência do público ou dos ruídos externos.
A partir desse áudio, realizamos análises de frequência e amplitude em tempo real.
Os graves podiam controlar movimentos mais lentos e expansivos. Frequências médias influenciavam texturas, deformações e variações de cor. Os agudos acionavam detalhes mais rápidos, brilhos, linhas e elementos de maior contraste.
Essas relações não eram completamente automáticas. Durante os shows, os parâmetros eram acompanhados e ajustados ao vivo. O sistema reagia à música, mas a operação humana continuava determinando a intensidade e a direção artística de cada transformação.
Essa combinação entre automação e controle manual permitiu acompanhar as improvisações sem perder a coerência visual.

Um sistema inteiro controlado por um único computador
Toda a estrutura foi centralizada em um único laptop operando o MadMapper.
A partir dele, controlamos as saídas de vídeo destinadas à tela holográfica e às árvores, o Laser Mapping e os 38 refletores LED conectados por Art-Net DMX.
O MadMapper funcionou como o núcleo da montagem. Nele foram organizados os mapeamentos, as superfícies, as automações, as entradas de áudio e os parâmetros que relacionavam a música aos equipamentos.
Também utilizamos fontes visuais processadas ao vivo com TouchDesigner e ComfyUI, incorporando conteúdos generativos e transformações que podiam ser manipuladas durante as apresentações.
Centralizar toda a operação em uma única estação exigiu planejamento. Cada saída precisava estar corretamente endereçada, cada superfície precisava respeitar sua resolução e cada equipamento DMX precisava responder de maneira previsível.
Ao mesmo tempo, essa arquitetura simplificou a performance. Em vez de trabalhar com vários sistemas separados e operadores independentes, foi possível controlar a experiência como uma única composição.
Vídeo, laser e iluminação deixaram de ser departamentos isolados.

Uma apresentação diferente a cada noite
Como o conteúdo era influenciado pela execução dos músicos, nenhuma apresentação poderia ser exatamente igual à outra.
Uma frase de saxofone, uma mudança no ritmo da bateria, um solo, uma pausa ou uma alteração súbita de intensidade produziam respostas visuais diferentes.
Essa imprevisibilidade fazia parte do projeto.
O jazz e a bossa nova não seguem necessariamente estruturas rígidas durante toda a apresentação. Existe espaço para improvisação, escuta e resposta entre os músicos. O sistema visual foi desenvolvido com uma lógica semelhante.
Ele observava, interpretava e respondia.
Em alguns trechos, as imagens se movimentavam de maneira sutil, quase como uma respiração. Em outros, todo o espaço era ativado simultaneamente: tela holográfica, árvores, laser e iluminação reagiam como partes de um mesmo instrumento.
Foi nesses momentos que a ideia do palco imersivo ficou mais evidente.

Tecnologia a serviço da experiência
O volume de equipamentos e a complexidade técnica eram consideráveis, mas o resultado não deveria parecer uma demonstração de tecnologia.
O público não precisava entender quantos projetores estavam sendo utilizados, como os canais DMX estavam distribuídos ou de que maneira o áudio estava sendo analisado.
A tecnologia precisava desaparecer dentro da experiência.
O que permanecia visível era a relação entre música, luz, cor e espaço. O palco mudava junto com os músicos. A floresta ganhava movimento. As imagens surgiam no ar. Os lasers conectavam os diferentes planos do ambiente.
O sistema não funcionava como um cenário estático colocado atrás da apresentação. Ele participava do espetáculo.

Ficha técnica do palco imersivo
A montagem audiovisual desenvolvida pela VITAartBR contou com:
Uma tela holográfica translúcida de 12 × 3 metros;
Dois projetores de 8.000 lumens para a tela holográfica;
Dois projetores de 10.000 lumens para o mapeamento das árvores;
Dois lasers RGB de 15 watts;
38 refletores LED PAR distribuídos pelo ambiente;
Controle de iluminação por Art-Net DMX;
Captação direta do áudio original da mesa de som;
Análise de frequências e automações em tempo real;
Mapeamento e controle centralizados no MadMapper;
Fontes visuais ao vivo produzidas com TouchDesigner e ComfyUI;
Operação integrada a partir de um único servidor.

Agradecimentos
Projetos desse porte dependem de uma combinação precisa entre criação, produção, técnica, música e confiança.
Agradecemos especialmente à Marte Cultural e ao Texneo Novum pela parceria e pelo espaço para desenvolver uma experiência que aproximou música, arte digital, tecnologia e natureza.
Também agradecemos às equipes de produção, som, iluminação, montagem e aos músicos que ocuparam o palco. A qualidade das apresentações e a dinâmica dos artistas foram fundamentais para que o sistema visual pudesse responder de maneira tão expressiva.
Durante duas noites, construímos um palco que não apenas recebeu música.
Construímos um palco que escutava.

Perguntas frequentes sobre o palco imersivo
O que foi o palco imersivo criado pela VITAartBR no Texneo Novum 2026?
Foi uma instalação audiovisual desenvolvida para as apresentações musicais de 31 de julho e 1º de agosto de 2026. O projeto integrou uma tela holográfica de 12 × 3 metros, Laser Mapping, projeção nas árvores e 38 refletores LED controlados por Art-Net DMX.
Como a música controlava as imagens e as luzes?
O áudio original da mesa de som foi capturado por uma interface de áudio e enviado ao sistema audiovisual. Frequências, intensidade, transientes e mudanças de dinâmica eram analisados e utilizados para modificar cores, movimentos, distorções, vídeos, lasers e iluminação em tempo real.
Quais equipamentos foram utilizados?
A montagem contou com:
Uma tela holográfica translúcida de 12 × 3 metros;
Dois projetores de 8.000 lumens para a tela;
Dois projetores de 10.000 lumens para as árvores;
Dois lasers RGB de 15 watts;
38 refletores LED PAR distribuídos pelo ambiente;
Uma interface para captura direta do áudio da mesa de som;
Um laptop centralizando toda a operação.
Como funcionava a tela holográfica?
A tela translúcida recebia imagens projetadas sem bloquear completamente a visão dos músicos e da vegetação. Isso criava diferentes planos de profundidade, fazendo com que partículas, linhas, texturas e outras imagens digitais parecessem flutuar entre o palco e a floresta.
Como foi realizada a projeção nas árvores?
Dois projetores de 10.000 lumens foram direcionados à vegetação. Troncos, folhas e galhos funcionaram como superfícies naturais para o mapeamento, ampliando o conteúdo visual para além da estrutura física do palco.
Todo o sistema foi controlado por um único computador?
Sim. As saídas de vídeo, o Laser Mapping, as automações de áudio e os 38 refletores Art-Net DMX foram centralizados em um único laptop operando o MadMapper.
Quais softwares foram utilizados?
O MadMapper foi utilizado como núcleo de mapeamento, automação e controle. Fontes visuais ao vivo também foram criadas ou processadas no TouchDesigner e no ComfyUI antes de serem integradas à composição final.
Quando e onde aconteceram as apresentações?
As apresentações aconteceram nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2026, das 19h30 às 22h30, na Praça Rosenplatz, em Blumenau, Santa Catarina.



